Nous sommes entrés dans la civilisation de la surpuissance, mais, dans ce cadre, le politique ne représente que l’un des aspects de la surpuissance contemporaine. Or celle-ci est foncièrement globale et s’affirme aujourd’hui à travers quatre pôles : les technosciences, le capitalisme néolibéral planétaire, l’hyperindividualisme et les relations géopolitiques. L’idée de surpuissance accompagne l’histoire de l’humanité. Longtemps, elle a relevé du sacré et du politique. Elle naît il y a au moins cinq mille ans, avec les religions polythéistes et monothéistes, et s’est déployée également à travers les grands empires : la surpuissance est alors de type théologico-politique. Puis une première rupture survient avec la civilisation moderne et la naissance de la démocratie, qui repose sur une logique de surpuissance politique sécularisée, puisque c’est la société qui se donne à elle-même ses propres lois. Les totalitarismes ont aussi incarné au XXe siècle une figure majeure de la surpuissance politique moderne, le politique étant l’instance qui dirige en maître absolu et dans une terreur effroyable le tout collectif. Après la Seconde Guerre mondiale, une nouvelle phase historique se met en place, que j’appelle hypermoderne. Ici, la surpuissance n’est plus seulement politique, mais métapolitique, supra- ou infrapolitique. Les technosciences en témoignent, avec la conquête de l’espace, les nanotechnologies, les biotechnologies, l’IA. L’univers hypertechnologique incarne au plus haut point la dynamique de la surpuissance : accès à l’infiniment grand et à l’infiniment petit, franchissement des seuils du possible, puissance de calcul vertigineuse.
Gilles Lipovetsky
Entramos na civilização da super-potência, mas, neste quadro, a política representa apenas um dos aspetos da super-potência contemporânea. Ora esta é fundamentalmente global e afirma-se hoje através de quatro polos : as tecnociências, o capitalismo neoliberal planetário, o hiperindividualismo e as relações geopolíticas. A ideia de super-potência acompanha a história da humanidade. Durante muito tempo, ela se ergueu do sagrado e do político. Nasceu há pelo menos cinco mil anos, com as religiões politeístas e monoteístas, e desenvolveu-se também através dos grandes impérios : a super-potência é assim de tipo teológico-político. Uma primeira rutura ocorre com a civilização moderna e o nascimento da democracia, que se baseia numa lógica de super-potência política secularizada, já que é a sociedade que dá a si mesma as suas próprias leis. Os totalitarismos também encarnaram no século XX uma figura importante do super-poder político moderno, o político sendo a instância que dirige como mestre absoluto, e dentro de um terror terrível, o todo coletivo. Após a Segunda Guerra Mundial, é estabelecida uma nova fase histórica a que eu chamo de hipermoderna. Aqui, o super-poder já não é apenas político, mas supra-político, supra- ou infra-político.As tecnociências testemunham isso, com a conquista do espaço, as nanotecnologias, as biotecnologias, a IA. O universo hipertecnológico encarna no seu ponto mais alto a dinâmica da super-potência: acesso ao infinitamente grande e ao infinitamente pequeno, ultrapassagem dos limiares do possível, poder de cálculo vertiginoso.
