mesmorra
27 fevereiro, 2026
26 fevereiro, 2026
Antidotes to Fear of Death / Antídotos para o medo da morte
Antidotes to Fear of Death
Sometimes as an antidote
To fear of death,
I eat the stars.
Those nights, lying on my back,
I suck them from the quenching dark
Til they are all, all inside me,
Pepper hot and sharp.
Sometimes, instead, I stir myself
Into a universe still young,
Still warm as blood:
No outer space, just space,
The light of all the not yet stars
Drifting like a bright mist,
And all of us, and everything
Already there
But unconstrained by form.
And sometime it's enough
To lie down here on earth
Beside our long ancestral bones:
To walk across the cobble fields
Of our discarded skulls,
Each like a treasure, like a chrysalis,
Thinking: whatever left these husks
Flew off on bright wings.
Rebecca Elson
Antídotos para o medo da morte
Às vezes, como antídoto
Ao medo da morte,
Como as estrelas.
Nessas noites, deitada de costas,
Sugo-as da têmpera do escuro
Até estarem todas, todas dentro de mim,
Em intensa arditura.
Às vezes, em vez disso, refogo-me
Num universo ainda jovem,
Ainda quente como sangue:
Sem espaço sideral, apenas espaço,
A luz de todas as não ainda estrelas
Pairando como uma neblina brilhante,
E todos nós, e tudo
Já lá
Sem condicionamentos de forma.
E às vezes é o suficiente
Deitar aqui na terra
Ao lado dos nossos históricos ossos ancestrais:
Atravessar os campos de paralelepípedos
Dos nossos crânios descartados
Cada um como um tesouro, como uma crisálida,
Pensando: o que deixou estas cascas
Voou com asas de brilho.
Sometimes as an antidote
To fear of death,
I eat the stars.
Those nights, lying on my back,
I suck them from the quenching dark
Til they are all, all inside me,
Pepper hot and sharp.
Sometimes, instead, I stir myself
Into a universe still young,
Still warm as blood:
No outer space, just space,
The light of all the not yet stars
Drifting like a bright mist,
And all of us, and everything
Already there
But unconstrained by form.
And sometime it's enough
To lie down here on earth
Beside our long ancestral bones:
To walk across the cobble fields
Of our discarded skulls,
Each like a treasure, like a chrysalis,
Thinking: whatever left these husks
Flew off on bright wings.
Rebecca Elson
Antídotos para o medo da morte
Às vezes, como antídoto
Ao medo da morte,
Como as estrelas.
Nessas noites, deitada de costas,
Sugo-as da têmpera do escuro
Até estarem todas, todas dentro de mim,
Em intensa arditura.
Às vezes, em vez disso, refogo-me
Num universo ainda jovem,
Ainda quente como sangue:
Sem espaço sideral, apenas espaço,
A luz de todas as não ainda estrelas
Pairando como uma neblina brilhante,
E todos nós, e tudo
Já lá
Sem condicionamentos de forma.
E às vezes é o suficiente
Deitar aqui na terra
Ao lado dos nossos históricos ossos ancestrais:
Atravessar os campos de paralelepípedos
Dos nossos crânios descartados
Cada um como um tesouro, como uma crisálida,
Pensando: o que deixou estas cascas
Voou com asas de brilho.
25 fevereiro, 2026
24 fevereiro, 2026
23 fevereiro, 2026
22 fevereiro, 2026
Devojka koja ne veruje u mitove / A rapariga que não acredita em mitos
kod proročice smo išli
tata, mama i ja
rekla je biću muško
i nešto veliko
spasla mi je život
devojčice koje se ovako rode
ne poznaju bogove
za sedmi rođendan
kolju petla na panju
ne koriste maskaru
nego masat i francuski ključ
voze traktor
cede čvarke
i jedu kavurmu
to su one dugonoge devojke
što same šetaju
dok se prve pahulje tope
na krovu hotela Moskva
priđi im samo ako možeš
zavoleti muškarca u njima
Radmila Petrović
fomos à vidente
pai, mãe e eu
disse que seria um homem
e algo grande
me salvou a vida
as miudinhas que nascem assim
não conhecem os deuses
no sétimo aniversário
degolam um galo no cepo
não usam rímel
mas sim uma chaira e uma chave inglesa
conduzem um trator
esventram toucinhos
e comem kavurma
são aquelas raparigas de pernas compridas
que caminham sozinhas
enquanto as primeiras folerpas se derretem
no telhado do hotel Moscovo
só te aproximes delas se puderes
amar o homem que lhes está dentro
21 fevereiro, 2026
20 fevereiro, 2026
uma questão de aparências
The story of my illness doesn’t exist.
There are great spaces in which I can grasp at sign or origin, tracing the decline in ability about which I’ve already written, but I cannot say with certainty which parts of me have been or will be lost, what kind of knowing is available to me now.
Your ideal sanatorium
First, a sanatorium must be free of cost. The unattainability is perhaps what makes the sanatorium story feel like a fantasy. In the foreword to The Magic Mountain, Mann writes that the story has much in common with fairy tales—a sanatorium houses Hans Castorp’s inner life and longing, completely removed from the violent demands of the everyday world and eventual war. Withdrawal from war is an often-employed metaphor for illness: Virginia Woolf said that the ill “ cease to be soldiers in the army of the upright, ” that “we “ become deserters. ”
I sympathize deeply with the desire to desert and retreat, but I am also interested in how the sanitorium might serve as a site of political struggle—fighting back against the world that makes and keeps us sick, not only against the illness itself. It’s easy to erase hospitals, clinics, asylums, and our hypothetical sanitoriums, which confine and exclude people from social life. I’m fascinated by the Socialist Patients’ Collective (SPK), a West German group founded in 1970 whose credo was to “turn illness into a weapon.” They believed the sick form a revolutionary class who could be organized to struggle against medical oppression. There are very few examples I have found of illness being truly weaponized, like the leper’s plot of 1321, in which lepers in southern France allegedly planned to spill their blood into the water supply, so that all would be infected with their disease. How might our illnesses be used to force the world to account for us?
Emily Wells
A história da minha doença não existe.
Há grandes lacunas nas quais posso vislumbrar sinais ou origens, traçando o declínio das minhas capacidades sobre o qual já escrevi, mas não posso afirmar com certeza quais partes de mim foram ou serão perdidas, que tipo de conhecimento me é acessível agora.
sanatório ideal
Em primeiro lugar, um sanatório deve ser gratuito. Essa inacessibilidade é talvez o que faz com que a história do sanatório pareça uma fantasia. No prefácio de A Montanha Mágica, Mann escreve que a história tem muito em comum com os contos de fadas — um sanatório abriga a vida interior e os anseios de Hans Castorp, completamente afastados das exigências violentas do mundo quotidiano e da eventual guerra. A retirada da guerra é uma metáfora frequentemente usada para a doença: Virginia Woolf disse que os doentes “ deixam de ser soldados no exército dos justos ”, que “ nos tornamos desertores ”.
Compreendo profundamente o desejo de desertar e e de se isolar, mas também me interessa como pode o sanatório servir como um espaço de luta política — uma forma de retaliar contra o mundo que nos faz adoecer e nos mantém doentes, e não apenas contra a própria doença. É fácil apagar hospitais, clínicas, asilos e os nossos hipotéticos sanatórios, que confinam e excluem as pessoas da vida social. Sou fascinada pelo Coletivo Socialista de Pacientes (SPK), um grupo da Alemanha Ocidental fundado em 1970, cujo credo era " transformar a doença numa arma ". Eles acreditavam que os doentes formavam uma classe revolucionária que poderia ser organizada para lutar contra a opressão médica. Encontrei poucos exemplos de doenças sendo verdadeiramente transformadas em armas, como a conspiração dos leprosos de 1321, na qual leprosos no sul da França supostamente planearam derramar o seu sangue na água, para que todos ficassem infetados com a doença. Como poderiam as nossas doenças ser usadas para forçar o mundo a responsabilizar-se por nós?
There are great spaces in which I can grasp at sign or origin, tracing the decline in ability about which I’ve already written, but I cannot say with certainty which parts of me have been or will be lost, what kind of knowing is available to me now.
Your ideal sanatorium
First, a sanatorium must be free of cost. The unattainability is perhaps what makes the sanatorium story feel like a fantasy. In the foreword to The Magic Mountain, Mann writes that the story has much in common with fairy tales—a sanatorium houses Hans Castorp’s inner life and longing, completely removed from the violent demands of the everyday world and eventual war. Withdrawal from war is an often-employed metaphor for illness: Virginia Woolf said that the ill “ cease to be soldiers in the army of the upright, ” that “we “ become deserters. ”
I sympathize deeply with the desire to desert and retreat, but I am also interested in how the sanitorium might serve as a site of political struggle—fighting back against the world that makes and keeps us sick, not only against the illness itself. It’s easy to erase hospitals, clinics, asylums, and our hypothetical sanitoriums, which confine and exclude people from social life. I’m fascinated by the Socialist Patients’ Collective (SPK), a West German group founded in 1970 whose credo was to “turn illness into a weapon.” They believed the sick form a revolutionary class who could be organized to struggle against medical oppression. There are very few examples I have found of illness being truly weaponized, like the leper’s plot of 1321, in which lepers in southern France allegedly planned to spill their blood into the water supply, so that all would be infected with their disease. How might our illnesses be used to force the world to account for us?
Emily Wells
A história da minha doença não existe.
Há grandes lacunas nas quais posso vislumbrar sinais ou origens, traçando o declínio das minhas capacidades sobre o qual já escrevi, mas não posso afirmar com certeza quais partes de mim foram ou serão perdidas, que tipo de conhecimento me é acessível agora.
sanatório ideal
Em primeiro lugar, um sanatório deve ser gratuito. Essa inacessibilidade é talvez o que faz com que a história do sanatório pareça uma fantasia. No prefácio de A Montanha Mágica, Mann escreve que a história tem muito em comum com os contos de fadas — um sanatório abriga a vida interior e os anseios de Hans Castorp, completamente afastados das exigências violentas do mundo quotidiano e da eventual guerra. A retirada da guerra é uma metáfora frequentemente usada para a doença: Virginia Woolf disse que os doentes “ deixam de ser soldados no exército dos justos ”, que “ nos tornamos desertores ”.
Compreendo profundamente o desejo de desertar e e de se isolar, mas também me interessa como pode o sanatório servir como um espaço de luta política — uma forma de retaliar contra o mundo que nos faz adoecer e nos mantém doentes, e não apenas contra a própria doença. É fácil apagar hospitais, clínicas, asilos e os nossos hipotéticos sanatórios, que confinam e excluem as pessoas da vida social. Sou fascinada pelo Coletivo Socialista de Pacientes (SPK), um grupo da Alemanha Ocidental fundado em 1970, cujo credo era " transformar a doença numa arma ". Eles acreditavam que os doentes formavam uma classe revolucionária que poderia ser organizada para lutar contra a opressão médica. Encontrei poucos exemplos de doenças sendo verdadeiramente transformadas em armas, como a conspiração dos leprosos de 1321, na qual leprosos no sul da França supostamente planearam derramar o seu sangue na água, para que todos ficassem infetados com a doença. Como poderiam as nossas doenças ser usadas para forçar o mundo a responsabilizar-se por nós?
19 fevereiro, 2026
18 fevereiro, 2026
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