mesmorra
18 agosto, 2026
17 agosto, 2026
bakmak yeniden / voltar a ver
Bakmak Yeniden
Hazır edilmiş patikadan yüz çevirdim
ehlileşmiş çimlerden geri döndü ayaklarım
çakıllar, dikenler arasından
kimsenin daha önce gitmediği
yol yaptım kendime sapaklardan
başkalarının gözünden seyrettim önce
sonra kendi gözümden gördüm
çatlağı, ışığı, mağaray
Hem tuhaf hem aşina aştım eşiğinden
hem düş hem değil dünyanın
inince karanlık, aşağı yollara
fısıldadım kendime: güçlüsün hâlâ
tanıdık bir hisle yakınlaşmadan önce
bakabilirsin gözlerine dik dik vahşi hayvanların
Şimdilik bilinmiyorum, seziliyor yabancılığım
say ki bir hücreden taştı adımlarım yeryüzüne
taşları duyuyorum içinden geçen sesleriyle
yurtluk yapmak bir gövdeyi
dışarıdan girip bir içe
şeffaf duvar
Eksiltip yürüyüşü geriye doğru
ağır çekimde
ilk yere varmak, ışık huzmeli, toz sağanağı
kökteki düğümleri çözüp, arkaik dili söküp
bir uzay dağınıklığı bu yersizlikte
boşluk genişleten, göğsünden dolup taşan nefesle
vardığımız karnaval.
Suya çekilmek
bir muamma, yakınlık
bakmak için kâinata yeniden,
dipten gelen uğultusu
dağılma arzusu arzın
ruhtan, varlıktan azade ve önce
yorgunluğumuzu alsın serin rüzgâr
nehirler aksın.
Asuman Susam
Voltar a ver
Virei as costas ao caminho já andado
os meus pés recuaram diante da relva domesticada
através dos espinhos e dos seixos
pela praxis dos desvios, abri um caminho
pelo qual mais ninguém tinha passado
observei primeiro através dos olhos de outros
depois vi através dos meus próprios
a fenda, a luz, a caverna.
Em simultâneo estranho e familiar, atravessei o umbral
de um mundo entre o que é sonho e o que não é
no cair do escuro sobre os trilhos baixos
sussurrei-me : ainda és forte
antes de te aproximares com uma sensação conhecida
podes olhar fixamente os olhos dos animais selvagens.
Por enquanto não me conhecem, dá-se conta da minha estranheza
como se os meus passos transbordassem de uma cela para a terra
escuto as pedras com as vozes que as atravessam
fazer do corpo pátria, um lugar próprio
entrar de fora para um dentro
uma parede que se torna transparente.
Diminuindo o andamento ao recuar
em câmara lenta
para chegar ao lugar primordial
atravessado por feixes de luz, um aguaceiro de pó
desfazendo os nós de raiz, rasgando a língua arcaica
uma desordem cósmica nesta ausência de chão
com um fôlego que amplia o vazio, transbordando do peito
o carnaval a que chegamos.
Deixar-se atrair pela água
um enigma, uma proximidade
para olhar novamente o universo
o rumor que chega das entranhas
o desejo da terra de se dissolver
libertar-se da alma, da existência e antes
de que o vento fresco leve o nosso cansaço
deixar que os rios fluam.
Hazır edilmiş patikadan yüz çevirdim
ehlileşmiş çimlerden geri döndü ayaklarım
çakıllar, dikenler arasından
kimsenin daha önce gitmediği
yol yaptım kendime sapaklardan
başkalarının gözünden seyrettim önce
sonra kendi gözümden gördüm
çatlağı, ışığı, mağaray
Hem tuhaf hem aşina aştım eşiğinden
hem düş hem değil dünyanın
inince karanlık, aşağı yollara
fısıldadım kendime: güçlüsün hâlâ
tanıdık bir hisle yakınlaşmadan önce
bakabilirsin gözlerine dik dik vahşi hayvanların
Şimdilik bilinmiyorum, seziliyor yabancılığım
say ki bir hücreden taştı adımlarım yeryüzüne
taşları duyuyorum içinden geçen sesleriyle
yurtluk yapmak bir gövdeyi
dışarıdan girip bir içe
şeffaf duvar
Eksiltip yürüyüşü geriye doğru
ağır çekimde
ilk yere varmak, ışık huzmeli, toz sağanağı
kökteki düğümleri çözüp, arkaik dili söküp
bir uzay dağınıklığı bu yersizlikte
boşluk genişleten, göğsünden dolup taşan nefesle
vardığımız karnaval.
Suya çekilmek
bir muamma, yakınlık
bakmak için kâinata yeniden,
dipten gelen uğultusu
dağılma arzusu arzın
ruhtan, varlıktan azade ve önce
yorgunluğumuzu alsın serin rüzgâr
nehirler aksın.
Asuman Susam
Voltar a ver
Virei as costas ao caminho já andado
os meus pés recuaram diante da relva domesticada
através dos espinhos e dos seixos
pela praxis dos desvios, abri um caminho
pelo qual mais ninguém tinha passado
observei primeiro através dos olhos de outros
depois vi através dos meus próprios
a fenda, a luz, a caverna.
Em simultâneo estranho e familiar, atravessei o umbral
de um mundo entre o que é sonho e o que não é
no cair do escuro sobre os trilhos baixos
sussurrei-me : ainda és forte
antes de te aproximares com uma sensação conhecida
podes olhar fixamente os olhos dos animais selvagens.
Por enquanto não me conhecem, dá-se conta da minha estranheza
como se os meus passos transbordassem de uma cela para a terra
escuto as pedras com as vozes que as atravessam
fazer do corpo pátria, um lugar próprio
entrar de fora para um dentro
uma parede que se torna transparente.
Diminuindo o andamento ao recuar
em câmara lenta
para chegar ao lugar primordial
atravessado por feixes de luz, um aguaceiro de pó
desfazendo os nós de raiz, rasgando a língua arcaica
uma desordem cósmica nesta ausência de chão
com um fôlego que amplia o vazio, transbordando do peito
o carnaval a que chegamos.
Deixar-se atrair pela água
um enigma, uma proximidade
para olhar novamente o universo
o rumor que chega das entranhas
o desejo da terra de se dissolver
libertar-se da alma, da existência e antes
de que o vento fresco leve o nosso cansaço
deixar que os rios fluam.
16 agosto, 2026
15 agosto, 2026
14 agosto, 2026
13 agosto, 2026
12 agosto, 2026
Cubierta / Cobertura
Cubierta
He soñado que me comía
las tapas de los edificios,
he soñado que devoraba
cientos de cabezas
hasta encontrar tus ojos,
caballo.
Caballo,
este silencio amarillo
da paso para que tu mirada
se transcriba a la parte más remota de mi hígado.
Y puedas sentir
en las muñecas
la inclinación de estas estructuras.
Y así,
el cielo hondo que nos cobija
nos permita entender porqué
el balanceo de mis piernas.
Milena Díaz
Cobertura
Sonhei que estava a comer
os petiscos dos prédios,
sonhei que devorava
centenas de cabeças
até encontrar os teus olhos,
cavalo.
Cavalo,
este silêncio amarelo
abre espaço para que o teu olhar
se transcreva na parte mais remota do meu fígado.
E possas sentir
nos pulsos
a inclinação destas estruturas.
E assim,
o céu profundo que nos cobre
nos permita entender o porquê
do balanço das minhas pernas.
He soñado que me comía
las tapas de los edificios,
he soñado que devoraba
cientos de cabezas
hasta encontrar tus ojos,
caballo.
Caballo,
este silencio amarillo
da paso para que tu mirada
se transcriba a la parte más remota de mi hígado.
Y puedas sentir
en las muñecas
la inclinación de estas estructuras.
Y así,
el cielo hondo que nos cobija
nos permita entender porqué
el balanceo de mis piernas.
Milena Díaz
Cobertura
Sonhei que estava a comer
os petiscos dos prédios,
sonhei que devorava
centenas de cabeças
até encontrar os teus olhos,
cavalo.
Cavalo,
este silêncio amarelo
abre espaço para que o teu olhar
se transcreva na parte mais remota do meu fígado.
E possas sentir
nos pulsos
a inclinação destas estruturas.
E assim,
o céu profundo que nos cobre
nos permita entender o porquê
do balanço das minhas pernas.
11 agosto, 2026
10 agosto, 2026
09 agosto, 2026
08 agosto, 2026
Resíduo
Anxo Pastor
Resíduo
De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco.)
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos,
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim ? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver. . . de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
o sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver. . . de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
o sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
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