26 fevereiro, 2026

Antidotes to Fear of Death / Antídotos para o medo da morte


Antidotes to Fear of Death
 
Sometimes as an antidote
To fear of death,
I eat the stars.
 
Those nights, lying on my back,
I suck them from the quenching dark
Til they are all, all inside me,
Pepper hot and sharp.
 
Sometimes, instead, I stir myself
Into a universe still young,
Still warm as blood:
 
No outer space, just space,
The light of all the not yet stars
Drifting like a bright mist,
And all of us, and everything
Already there
But unconstrained by form.
 
And sometime it's enough
To lie down here on earth
Beside our long ancestral bones:
 
To walk across the cobble fields
Of our discarded skulls,
Each like a treasure, like a chrysalis,
Thinking: whatever left these husks
Flew off on bright wings.
 
 
Rebecca Elson
 
 
Antídotos para o medo da morte
 
Às vezes, como antídoto
Ao medo da morte,
Como as estrelas.
 
Nessas noites, deitada de costas,
Sugo-as da têmpera do escuro
Até estarem todas, todas dentro de mim,
Em intensa arditura.
 
Às vezes, em vez disso, refogo-me 
Num universo ainda jovem,
Ainda quente como sangue:
 
Sem espaço sideral, apenas espaço,
A luz de todas as não ainda estrelas
Pairando como uma neblina brilhante,
E todos nós, e tudo
Já lá
Sem condicionamentos de forma.
 
E às vezes é o suficiente
Deitar aqui na terra
Ao lado dos nossos históricos ossos ancestrais:
 
Atravessar os campos de paralelepípedos
Dos nossos crânios descartados
Cada um como um tesouro, como uma crisálida,
Pensando: o que deixou estas cascas
Voou com asas de brilho.
 
 

22 fevereiro, 2026

Devojka koja ne veruje u mitove / A rapariga que não acredita em mitos

  
kod proročice smo išli
tata, mama i ja
rekla je biću muško
i nešto veliko
spasla mi je život
devojčice koje se ovako rode
ne poznaju bogove
za sedmi rođendan
kolju petla na panju
 
ne koriste maskaru
nego masat i francuski ključ
voze traktor
cede čvarke
i jedu kavurmu
 
to su one dugonoge devojke
što same šetaju
dok se prve pahulje tope
na krovu hotela Moskva
 
priđi im samo ako možeš
zavoleti muškarca u njima
 
 
Radmila Petrović
 
 
fomos à vidente
pai, mãe e eu
disse que seria um homem
e algo grande
me salvou a vida
as miudinhas que nascem assim
não conhecem os deuses
no sétimo aniversário
degolam um galo no cepo
 
não usam rímel
mas sim uma chaira e uma chave inglesa
conduzem um trator
esventram toucinhos
e comem kavurma
 
são aquelas raparigas de pernas compridas
que caminham sozinhas
enquanto as primeiras folerpas se derretem
no telhado do hotel Moscovo
 
só te aproximes delas se puderes
amar o homem que lhes está dentro