mesmorra
15 maio, 2026
14 maio, 2026
13 maio, 2026
La petició / O pedido
La petició
Enllumena l’anvers de la pedra,
la part interior de la closca,
la semiesfera oculta de l’ull.
Desentenebra tot allò
que té massa i ocupa un volum
però que no pots detectar
amb la retina.
Apropa la llanterna
al que s’escapa del rang òptic,
encén la contradicció
de tenir ulls i no veure-hi.
Clarifica allò que emet fotons
a què la nostra pupil·la no és sensible.
Deixa’m veure
el naixement de les estrelles,
l’expansió de l’univers,
la teva llengua anticipant-se a la meva.
Il·lumina’m
allò que no veuré mai.
Anna Gual
O pedido
Alumia o anverso da pedra,
a parte interior da casca,
o hemisfério oculto do olho.
Desvenda tudo aquilo
que tem massa e ocupa um volume
mas que não consegues detetar
com a retina.
Abeira a lanterna
do que escapa da gama óptica,
acende a contradição
de ter olhos e não ver.
Clarifica o que emite fotões
a que a nossa pupila não é sensível.
Deixa-me ver
o nascimento das estrelas,
a expansão do universo,
a tua língua antecipando-se à minha.
Ilumina-me
o que nunca hei-de ver.
Enllumena l’anvers de la pedra,
la part interior de la closca,
la semiesfera oculta de l’ull.
Desentenebra tot allò
que té massa i ocupa un volum
però que no pots detectar
amb la retina.
Apropa la llanterna
al que s’escapa del rang òptic,
encén la contradicció
de tenir ulls i no veure-hi.
Clarifica allò que emet fotons
a què la nostra pupil·la no és sensible.
Deixa’m veure
el naixement de les estrelles,
l’expansió de l’univers,
la teva llengua anticipant-se a la meva.
Il·lumina’m
allò que no veuré mai.
Anna Gual
O pedido
Alumia o anverso da pedra,
a parte interior da casca,
o hemisfério oculto do olho.
Desvenda tudo aquilo
que tem massa e ocupa um volume
mas que não consegues detetar
com a retina.
Abeira a lanterna
do que escapa da gama óptica,
acende a contradição
de ter olhos e não ver.
Clarifica o que emite fotões
a que a nossa pupila não é sensível.
Deixa-me ver
o nascimento das estrelas,
a expansão do universo,
a tua língua antecipando-se à minha.
Ilumina-me
o que nunca hei-de ver.
12 maio, 2026
A internacional dos rios
Il était une fois une rivière, L, entravée par des barrages, de grandes infrastructures industrielles, des villes installées sur ses rives…
L avait longtemps été considérée comme une ressource propice aux humains.
Le langage employé à son endroit était, sans surprise, celui d’une économie utilitariste qui
considérait les éléments du monde comme étant au service des intérêts humains.
Certains cherchaient bien à protéger L, mais à la vérité, on l’exploitait inlassablement.
Au cours des dernières années, des agriculteurs s’étaient d’ailleurs arrangés avec les agences de l’État pour creuser de gigantesques bassines afin d’irriguer leurs champs pendant les périodes de sécheresse.
Des militants venus des quatre coins du pays avaient bien tenté de s’y opposer, mais la répression fut féroce.
À l’amont, à l’aval, c’était toujours le même verdict. L dépérissait. En été, elle disparaissait, laissant la place à une vaste étendue de sable. Et le glacier où elle prenait sa source avait disparu.
Cela dit – était-ce une bonne nouvelle? – depuis quelques mois, L avait changé de
statut. Elle avait cessé d’être une « chose », elle était devenue une « personne ».
Camille de Toledo
Era uma vez um rio, L, cercado por represas, grandes infraestruturas industriais, cidades instaladas nas suas margens...
Há muito que L é considerado um recurso benéfico para os seres humanos.
A linguagem utilizada em seu favor era, sem surpresa, a de uma economia utilitarista que considerava os elementos do mundo como estando ao serviço dos interesses humanos.
Alguns tentaram proteger L, mas na verdade, foi explorado incansavelmente.
Nos últimos anos, os agricultores tinham de facto feito acordos com as agências do Estado para cavar enormes bacias a fim de irrigar os seus campos durante os períodos de seca.
Militantes vindos de todos os cantos do país tentaram opor-se, mas a repressão foi feroz.
A montante, a jusante, era sempre o mesmo veredicto. L murchava. No verão, desaparecia, dando lugar a uma vasta extensão de areia. E o glaciar onde nascia tinha desaparecido.
Dito isto - foi uma boa notícia? - nos últimos meses, L tinha mudado de estatuto. Deixou de ser uma " coisa ", tornou-se uma " pessoa ".
L avait longtemps été considérée comme une ressource propice aux humains.
Le langage employé à son endroit était, sans surprise, celui d’une économie utilitariste qui
considérait les éléments du monde comme étant au service des intérêts humains.
Certains cherchaient bien à protéger L, mais à la vérité, on l’exploitait inlassablement.
Au cours des dernières années, des agriculteurs s’étaient d’ailleurs arrangés avec les agences de l’État pour creuser de gigantesques bassines afin d’irriguer leurs champs pendant les périodes de sécheresse.
Des militants venus des quatre coins du pays avaient bien tenté de s’y opposer, mais la répression fut féroce.
À l’amont, à l’aval, c’était toujours le même verdict. L dépérissait. En été, elle disparaissait, laissant la place à une vaste étendue de sable. Et le glacier où elle prenait sa source avait disparu.
Cela dit – était-ce une bonne nouvelle? – depuis quelques mois, L avait changé de
statut. Elle avait cessé d’être une « chose », elle était devenue une « personne ».
Camille de Toledo
Era uma vez um rio, L, cercado por represas, grandes infraestruturas industriais, cidades instaladas nas suas margens...
Há muito que L é considerado um recurso benéfico para os seres humanos.
A linguagem utilizada em seu favor era, sem surpresa, a de uma economia utilitarista que considerava os elementos do mundo como estando ao serviço dos interesses humanos.
Alguns tentaram proteger L, mas na verdade, foi explorado incansavelmente.
Nos últimos anos, os agricultores tinham de facto feito acordos com as agências do Estado para cavar enormes bacias a fim de irrigar os seus campos durante os períodos de seca.
Militantes vindos de todos os cantos do país tentaram opor-se, mas a repressão foi feroz.
A montante, a jusante, era sempre o mesmo veredicto. L murchava. No verão, desaparecia, dando lugar a uma vasta extensão de areia. E o glaciar onde nascia tinha desaparecido.
Dito isto - foi uma boa notícia? - nos últimos meses, L tinha mudado de estatuto. Deixou de ser uma " coisa ", tornou-se uma " pessoa ".
11 maio, 2026
10 maio, 2026
09 maio, 2026
amandiers / amendoeiras
Il est bien vrai que nous sommes dans une époque tragique. Mais trop de gens confondent le tragique et le désespoir. « Le tragique, disait Lawrence, devrait être comme un grand coup de pied donné au malheur. » Voilà une pensée saine et immédiatement applicable. Il y a beaucoup de choses aujourd’hui qui méritent ce coup de pied.
Quand j’habitais Alger, je patientais toujours dans l’hiver parce que je savais qu’en une nuit, une seule nuit froide et pure de février, les amandiers de la vallée des Consuls se couvriraient de fleurs blanches. Je m’émerveillais de voir ensuite cette neige fragile résister à toutes les pluies et au vent de la mer. Chaque année, pourtant, elle persistait, juste ce qu’il fallait pour préparer le fruit.
Albert Camus
É bem verdade que estamos numa época trágica. Mas há muita gente que confunde o trágico com o desespero. “ O trágico (dizia Lawrence), devia ser um imenso pontapé desferido na infelicidade. “. Eis um pensamento são e imediatamente aplicável. Há muitas coisas hoje que merecem esse pontapé.
Quando vivia em Argel, tinha sempre paciência no inverno porque sabia que numa noite, uma única noite fria e pura de fevereiro, as amendoeiras do Vale dos Cônsules se cobririamam de flores brancas. Ficava maravilhado ao ver depois essa neve frágil resistir a todas as chuvas e ao vento do mar. Todos os anos, no entanto, ela persistia, apenas o necessário para preparar a fruta.
08 maio, 2026
07 maio, 2026
06 maio, 2026
Espero mates esta versión también / Espero que mates também esta versão
Dejaría de mirarte si eso significara
el fin de tus libertades
No estaría más
si mi presencia mutara
a una sombra penosa
Animal enfermo que debe sacrificarse
antes de que se extienda la rabia
No puedo explicar el origen de la devoción
que te tengo
porque no encuentro explicación a nada en este mundo
Si la hallara no te la diría
Esta solo pertenece
a las versiones fallecidas de mi querer
Espero mates esta versión también
Quiero partir limpia
hacia el primer amor que se me atraviese
o bien
exterminar lo último que queda
de mi corazón de agua
Soriana Durán
Deixaria de olhar para ti se isso significasse
o fim das tuas liberdades
não estaria mais
se a minha presença mutasse
uma sombra dolorosa
Animal doente que tem de ser abatido
antes que a raiva se espalhe
Não consigo explicar a origem da devoção
que tenho por ti
porque não encontro explicação para nada neste mundo
Se a encontrasse, não ta diria
Ela só pertence
às versões falecidas do meu desejo
Espero que mates também esta versão
Quero ir limpa embora
para o primeiro amor que me epifane
ou então
exterminar o último que resta
do meu coração de água.
05 maio, 2026
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