05 setembro, 2026

Gefunden / Achamento

 

Anxo Pastor

Gefunden
 
Ich ging im Walde
So für mich hin,
Und nichts zu suchen
Das war mein Sinn.
 
Im Schatten sah’ ich
Ein Blümchen stehn,
Wie Sterne leuchtend,
Wie Äuglein schön.
 
Ich wollt’ es brechen;
Da sagt’ es fein:
Soll ich zum Welken
Gebrochen sein?
 
Ich grub’s mit allen
Den Würzlein aus,
Zum Garten trug ich’s
Am hübschen Haus.
 
Und pflanzt es wieder
Am stillen Ort;
Nun zweigt es immer
Und blüht so fort.
 
 
Wolfgang von Goethe
 
 
Achamento
 
Entrei no bosque
Absorto em mim,
Sem nada procurar,
Assim era o meu estando.
 
Entre as sombras vi
Uma florzinha erguendo-se,
Brilhante como a luz das estrelas,
Bela como um olhar
 
Quis arrancá-la;
Disse-me tudo bem:
Tenho de murchar
Estar quebrada?
 
Desterrei-a
Com as pequenas raízes
No jardim a instalei
Ao pé da casa bonita.
 
Arranjei-lhe chão de novo
Em lugar de sossego;
Está com mais ramagem
E floresce, floresce
 
 
 

02 setembro, 2026

他 / ele

 

 
他是一个非常
细心的男生
他会帮我把伞
整齐地折好扣上还给我
他是一个非常
体贴的男生
他往鸡米花上
挤番茄酱之前会问我
我可以挤吗
他是一个非常
懂礼貌的男生
在手忙脚乱
拆避孕套的时候
他会轻声跟我说
帮我口一下
谢谢
 
 
Fang Miaohong ( 方妙红 )
 

ele

É um moço extremamente
atento
ajuda-me a dobrar
e a fechar o guarda-chuva
cuidadosamente
antes de mo devolver
É um moço extremamente
atencioso
pergunta-me antes de espremer o ketchup
sobre os nuggets de frango:
Posso apertar?
É um moço extremamente
gentil
nervoso
para tirar o preservativo
sussurra-me
ajuda-me com a tua boca,
Obrigado
 

31 agosto, 2026

La Vara y el Río / A Vara e o Rio


La Vara y el Río
 
Me golpeo el rostro
con una vara de junco que partí en noviembre
una tarde sin sol.
El cuerpo no me acompaña. Pienso,
una vez más
en lo propio y en lo impropio.
 
El junco en mi mejilla suena sin vergüenza
a dolor prestado, a cosa acabada
entre golpe y golpe
una lancha pasa sobre mi cara.
 
Es el tiempo que me doy para saber si quiero vivir.
 
 
Laura Klein
 
 
A Vara e o Rio
 
Bato-me no rosto
com uma vara de junco que parti em novembro
numa tarde sem sol.
O corpo não me acompanha. Penso,
mais uma vez
no próprio e no impróprio.
 
O junco na minha face soa sem vergonha
a dor emprestada, a coisa acabada
cada vez que bate
uma lancha passa sobre meu rosto.
 
É o tempo que me dou para saber se quero viver.
 

29 agosto, 2026

je vous offre mes pensées / oferendo-lhe os meus pensamentos


je vous offre mes pensées
secousses recueillies
minuscules marques sur le papier
 
je retrace les pas vers ma colère
présence fantomatique
souvent insaisissable
 
en bouche
le mot clémence
encline à pardonner
bien avant de goûter le mot révolte
 
je traverse le monde en lui permettant de m’interrompre
en me laissant être dispersée
 
je note la discrétion des mouvements
(dépasser disposer nuancer planter)
gestes amples pour accueillir
vos effusions
vos fatigues
 
 
Éloïse LeBlanc
 
 
oferendo-lhe os meus pensamentos
sismos reunidos
minúsculas marcas no papel
 
refaço o caminho até à minha raiva
presença fantasmática
tantas vezes fugidia
 
na boca
a palavra clemência
tende a perdoar
muito antes de saborear a palavra revolta
 
percorro o mundo permitindo-lhe que me interrompa
deixando-me ser dispersa
 
Noto a discrição dos movimentos
( superar dispor matizar plantar )
grandes gestos para acolher
as suas efusões
o seu cansaço
 

27 agosto, 2026

Cuando se es extranjera / Quando se é estrangeira


Cuando se es extranjera
se abre una puerta y entra con más fuerza la luz.
¿Hoy quién seré?
Alguien más afable,
menos triste,
hago una pausa, le dejo al afluente las respuestas.
Soy extranjera,
no sé qué cuerpo es este
ni cuántos lo han amado.
Dije adiós a la casa materna,
me pidieron prudencia.
Atrás los arrumes de arena,
la ciudad y mi débil paso sobre el asfalto.
Soy extranjera,
escribo mi historia con una mano sorda
preparo la otra, la que borra.
 
 
Jenny Bernal
 
 
Quando se é estrangeira
abre-se uma porta e entra com mais força a luz.
Quem serei hoje?
Alguém mais aprazível,
menos triste,
faço uma pausa, deixo ao afluente as respostas.
Sou estrangeira,
não sei que corpo é este
nem quantos o amaram.
Disse adeus à casa materna,
pediram-me prudência.
Atrás os montões de areia,
a cidade e o meu débil andar sobre o asfalto.
Sou estrangeira,
escrevo a minha história com uma mão surda
preparo a outra, a que apaga.