Stéphanie Probst
mesmorra
04 março, 2026
03 março, 2026
02 março, 2026
01 março, 2026
28 fevereiro, 2026
27 fevereiro, 2026
26 fevereiro, 2026
Antidotes to Fear of Death / Antídotos para o medo da morte
Antidotes to Fear of Death
Sometimes as an antidote
To fear of death,
I eat the stars.
Those nights, lying on my back,
I suck them from the quenching dark
Til they are all, all inside me,
Pepper hot and sharp.
Sometimes, instead, I stir myself
Into a universe still young,
Still warm as blood:
No outer space, just space,
The light of all the not yet stars
Drifting like a bright mist,
And all of us, and everything
Already there
But unconstrained by form.
And sometime it's enough
To lie down here on earth
Beside our long ancestral bones:
To walk across the cobble fields
Of our discarded skulls,
Each like a treasure, like a chrysalis,
Thinking: whatever left these husks
Flew off on bright wings.
Rebecca Elson
Antídotos para o medo da morte
Às vezes, como antídoto
Ao medo da morte,
Como as estrelas.
Nessas noites, deitada de costas,
Sugo-as da têmpera do escuro
Até estarem todas, todas dentro de mim,
Em intensa arditura.
Às vezes, em vez disso, refogo-me
Num universo ainda jovem,
Ainda quente como sangue:
Sem espaço sideral, apenas espaço,
A luz de todas as não ainda estrelas
Pairando como uma neblina brilhante,
E todos nós, e tudo
Já lá
Sem condicionamentos de forma.
E às vezes é o suficiente
Deitar aqui na terra
Ao lado dos nossos históricos ossos ancestrais:
Atravessar os campos de paralelepípedos
Dos nossos crânios descartados
Cada um como um tesouro, como uma crisálida,
Pensando: o que deixou estas cascas
Voou com asas de brilho.
Sometimes as an antidote
To fear of death,
I eat the stars.
Those nights, lying on my back,
I suck them from the quenching dark
Til they are all, all inside me,
Pepper hot and sharp.
Sometimes, instead, I stir myself
Into a universe still young,
Still warm as blood:
No outer space, just space,
The light of all the not yet stars
Drifting like a bright mist,
And all of us, and everything
Already there
But unconstrained by form.
And sometime it's enough
To lie down here on earth
Beside our long ancestral bones:
To walk across the cobble fields
Of our discarded skulls,
Each like a treasure, like a chrysalis,
Thinking: whatever left these husks
Flew off on bright wings.
Rebecca Elson
Antídotos para o medo da morte
Às vezes, como antídoto
Ao medo da morte,
Como as estrelas.
Nessas noites, deitada de costas,
Sugo-as da têmpera do escuro
Até estarem todas, todas dentro de mim,
Em intensa arditura.
Às vezes, em vez disso, refogo-me
Num universo ainda jovem,
Ainda quente como sangue:
Sem espaço sideral, apenas espaço,
A luz de todas as não ainda estrelas
Pairando como uma neblina brilhante,
E todos nós, e tudo
Já lá
Sem condicionamentos de forma.
E às vezes é o suficiente
Deitar aqui na terra
Ao lado dos nossos históricos ossos ancestrais:
Atravessar os campos de paralelepípedos
Dos nossos crânios descartados
Cada um como um tesouro, como uma crisálida,
Pensando: o que deixou estas cascas
Voou com asas de brilho.
25 fevereiro, 2026
24 fevereiro, 2026
23 fevereiro, 2026
22 fevereiro, 2026
Devojka koja ne veruje u mitove / A rapariga que não acredita em mitos
kod proročice smo išli
tata, mama i ja
rekla je biću muško
i nešto veliko
spasla mi je život
devojčice koje se ovako rode
ne poznaju bogove
za sedmi rođendan
kolju petla na panju
ne koriste maskaru
nego masat i francuski ključ
voze traktor
cede čvarke
i jedu kavurmu
to su one dugonoge devojke
što same šetaju
dok se prve pahulje tope
na krovu hotela Moskva
priđi im samo ako možeš
zavoleti muškarca u njima
Radmila Petrović
fomos à vidente
pai, mãe e eu
disse que seria um homem
e algo grande
me salvou a vida
as miudinhas que nascem assim
não conhecem os deuses
no sétimo aniversário
degolam um galo no cepo
não usam rímel
mas sim uma chaira e uma chave inglesa
conduzem um trator
esventram toucinhos
e comem kavurma
são aquelas raparigas de pernas compridas
que caminham sozinhas
enquanto as primeiras folerpas se derretem
no telhado do hotel Moscovo
só te aproximes delas se puderes
amar o homem que lhes está dentro
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