11 março, 2026

Guérir / Curar

 


Qu’est-ce que la santé ?

On reproche généralement à la biomédecine de définir la maladie mais pas la santé. L’opposition binaire entre santé et maladie favorise effectivement la conception de l’une comme pure négation de l’autre. D’ailleurs, pour Georges Canguilhem, “il n’y a pas de science de la santé… Santé n’est pas un concept scientifique, c’est un concept vulgaire. Ce qui ne veut pas dire trivial, mais simplement commun, à la portée de tous”. Il dit aussi qu’
  être en bonne santé, c’est pouvoir tomber malade et s’en relever, c’est un luxe biologique”. La santé n’est pas, selon lui, l’absence de maladie mais la possibilité de la guérison si celle-ci advient. Être en santé serait être capable de faire face aux déséquilibres que ne manque de générer l’existence et de les régler, bien loin de la notion d’un état d’équilibre permanent.
La guérison serait un processus systémique de retour à l’équilibre qui se joue en permanence. Cette dynamique ne permet pas un état stable et acquis au sein du flux permanent de changements des conditions internes et externes. Il est un processus, sans cesse en train de se réaliser, de se détruire et de se reconstruire. Il est fait de permanents ajustements, adaptations, avec les moyens disponibles, aux conditions perçues. La notion de la santé comme un équilibre présuppose une dimension statique et univoque (il existerait un équilibre déterminé vers lequel toujours tendre), alors que les notions d’harmonie, ou de cohérence, du fonctionnement concerté des systèmes régulateurs semblent plus plastiques. Si la santé est un processus permanent et non plus un état, cela signifie qu’il existe plusieurs configurations possibles à tout moment pour être en santé. Et que ces configurations relèvent de choix, conscients et inconscients, que nous renégocions en permanence. D’ailleurs, Jules Romains s’amuse à travers les dires du Dr Knock de ce que tout être en bonne santé soit un malade qui s’ignore 
 
 
Aline Mercan
 
 
O que é a saúde?

A biomedicina é geralmente acusada de definir a doença, mas não a saúde. A oposição binária entre saúde e doença favorece efetivamente a conceção de uma como pura negação da outra. Aliás, para Georges Canguilhem, " não existe ciência da saúde... A saúde não é um conceito científico, é um conceito vulgar. O que não quer dizer trivial, mas simplesmente comum, ao alcance de todos ". Ele também diz que " ser saudável é poder adoecer e recuperar-se, é um luxo biológico ". A saúde não é, segundo ele, a ausência de doença, mas a possibilidade da cura se ela ocorrer. Ser saudável seria ser capaz de lidar com os desequilíbrios que a existência gera e resolvê-los, muito longe da noção de um estado de equilíbrio permanente.
A cura seria um processo sistémico de reequilíbrio que se desenrola em contínuo. Esta dinâmica não permite um estado estável e adquirido dentro do fluxo permanente de mudanças das condições internas e externas. É um processo, incessantemente em andamento, de estar destruído e poder reconstruir-se. Faz-se de constantes ajustes, adaptações, com os meios disponíveis, às condições percebidas. A noção de saúde, como um equilíbrio, pressupõe uma dimensão estática e unívoca ( existiria um equilíbrio determinado para o qual sempre se tenderia ), enquanto as noções de harmonia, ou de coerência, do funcionamento concertado dos sistemas reguladores parecem mais plásticas. Se a saúde é um processo permanente e já não um estado, isso significa que existem várias configurações possíveis em qualquer momento para ser saudável. E que essas configurações são escolhas, conscientes e inconscientes, que renegociamos em permanência. Jules Romains diverte-se com as palavras do Dr. Knock : qualquer ser saudável é um doente que não sabe que o é.