Cuando se es extranjera
se abre una puerta y entra con más fuerza la luz.
¿Hoy quién seré?
Alguien más afable,
menos triste,
hago una pausa, le dejo al afluente las respuestas.
Soy extranjera,
no sé qué cuerpo es este
ni cuántos lo han amado.
Dije adiós a la casa materna,
me pidieron prudencia.
Atrás los arrumes de arena,
la ciudad y mi débil paso sobre el asfalto.
Soy extranjera,
escribo mi historia con una mano sorda
preparo la otra, la que borra.
Jenny Bernal
Quando se é estrangeira
abre-se uma porta e entra com mais força a luz.
Quem serei hoje?
Alguém mais aprazível,
menos triste,
faço uma pausa, deixo ao afluente as respostas.
Sou estrangeira,
não sei que corpo é este
nem quantos o amaram.
Disse adeus à casa materna,
pediram-me prudência.
Atrás os montões de areia,
a cidade e o meu débil andar sobre o asfalto.
Sou estrangeira,
escrevo a minha história com uma mão surda
preparo a outra, a que apaga.