Le langage est le propre de l’homme, c’est vrai. Mais comme les mathématiques ou le calcul. Et nombre de philosophes majeurs, à commencer par les Grecs, ont considéré qu’il pouvait exister un langage logique détaché des rapports immédiats aux humains. Quand Aristote a le projet d’établir les lois de la logique, il cherche les liens permettant d’assembler les propositions ou de construire les énoncés qui seraient indépendants des croyances, opinions ou désirs qu’on va trouver chez tel ou tel locuteur humain. Il est donc déjà à la recherche d’un fonctionnement autonome du langage. Même chose chez Descartes, quand il fonde la mathesis universalis, il rêve d’un langage mathématique universel, sans parler de la caractéristique universelle de Leibniz [ il rêvait lui aussi d’une langue de calcul universelle et a inventé une machine calculatoire théorique, le calculus ratiocinator ]. L’algorithmisation du langage ne rompt donc pas, me semble-t-il, avec la tradition rationaliste ; elle en constitue peut-être l’aboutissement paradoxal. Ce qu’il y a de neuf n’est pas dans l’idée d’un langage autonome mais dans le fait que cette autonomie devienne opératoire et conversationnelle.
Catherine Malabou
A linguagem é própria do homem, é verdade. Mas da mesma maneira que a matemática ou o cálculo. E muitos dos filósofos importantes, começando pelos gregos, consideraram que poderia existir uma linguagem lógica separada das relações imediatas com os seres humanos. Quando Aristóteles tem o projeto de estabelecer as leis da lógica, ele procura os laços que permitam reunir as proposições ou construir enunciados que sejam independentes das crenças, opiniões ou desejos que se vão encontrar em tal ou tal locutor humano. Já está, portanto, à procura de um funcionamento autónomo da linguagem. O mesmo acontece com Descartes, quando funda a mathesis universalis, sonha com uma linguagem matemática universal, para não falar da característica universal de Leibniz [ que também sonhava com uma linguagem de cálculo universal e inventou uma máquina computacional teórica, o calculus ratiocinator ]. A algoritmização da linguagem, portanto, não rompe, ao que me parece, com a tradição racionalista ; talvez constitua a sua conclusão paradoxal. O que há de novo não está na ideia de uma linguagem autónoma, mas no facto de essa autonomia se tornar operatória e conversacional.
Catherine Malabou
A linguagem é própria do homem, é verdade. Mas da mesma maneira que a matemática ou o cálculo. E muitos dos filósofos importantes, começando pelos gregos, consideraram que poderia existir uma linguagem lógica separada das relações imediatas com os seres humanos. Quando Aristóteles tem o projeto de estabelecer as leis da lógica, ele procura os laços que permitam reunir as proposições ou construir enunciados que sejam independentes das crenças, opiniões ou desejos que se vão encontrar em tal ou tal locutor humano. Já está, portanto, à procura de um funcionamento autónomo da linguagem. O mesmo acontece com Descartes, quando funda a mathesis universalis, sonha com uma linguagem matemática universal, para não falar da característica universal de Leibniz [ que também sonhava com uma linguagem de cálculo universal e inventou uma máquina computacional teórica, o calculus ratiocinator ]. A algoritmização da linguagem, portanto, não rompe, ao que me parece, com a tradição racionalista ; talvez constitua a sua conclusão paradoxal. O que há de novo não está na ideia de uma linguagem autónoma, mas no facto de essa autonomia se tornar operatória e conversacional.