24 outubro, 2026

Acaso nunca sepa / Talvez nunca saiba



V
 
Acaso nunca sepa qué honda es la tormenta
que ruge para mí
acaso no comprenda
los dones
que he perdido para siempre
 
acaso
alguien como yo
         corrió descalza
entre los ortigales
y los tréboles
 
acaso en otros montes
acaso en otros potros
 
acaso no fui yo
 
yo traigo apenas la danza del romero
esas fortunas
del barro entre las manos
 
la simpleza
del alambre que se tensa contra el viento.
 
*
 
VII
 
Hundo mi mano
en la espesura de la noche.
 
Recolecto su fruto.
 
 
Mariana Finochietto
 
 
Talvez nunca saiba quão forte é a tormenta
que ruge para mim
talvez não entenda
os dons
que perdi para sempre
 
Talvez
alguém como eu
          tenha corrido descalça
entre os urtigais
e os trevos
 
talvez noutros montes
talvez noutros potros
 
talvez não tenha sido eu
 
trago apenas a dança do andante
esses destinos
da lama entre as mãos
 
a simplicidade
do fio em tensão contra o vento.
 
*
 
VII
 
Afundo a minha mão
na espessura da noite.
 
Colho o seu fruto.