Liz Larner
mesmorra
30 setembro, 2026
29 setembro, 2026
sons nus
Sons-Nús ( Maite Dono & Baldo Martínez )
3 outubro 2026, 19.30h
A Casa do Pozo
Vilar - Bande
( Gerês - Ourense )
3 outubro 2026, 19.30h
A Casa do Pozo
Vilar - Bande
( Gerês - Ourense )
a desconhecida
Je hais et abjecte en lâche tout être qui ne reconnaît pas que la vie ne lui est donnée que pour refaire et reconstituer son corps et son organisme tout entier ( Antonin Artaud )
Odeio e abomino em abjecção todo o ser que não reconhece que a vida só lhe é dada para refazer e reconstituir o seu corpo e todo o seu organismo
28 setembro, 2026
27 setembro, 2026
26 setembro, 2026
I will eat your liver / Vou comer-te o fígado
I will eat your liver
There is a Farsi way
of making livers
romantic. The phrase
'I will eat your liver'
being idiomatic of
yearning. Yearning
being idiomatic of
the way nature has no
outline,
but imagination
does. Imagination
is the core
of a crush, I'd say.
And I don't mean
core like a ball
of white light.
I mean
layers of aerated
roots as fibres
passing through
an infinite linear
address space.
Imagine dismissing
the root
of a dream
when the dream
involves opening
a recordable
greetings card
playing your own
light breathing.
The handwritten
inscription evoking
an atmosphere
of time
straightened
by fire.
Why be cynical
about that?
Why assume
when we die
we are not
'prana', 'impetus',
we are not a flame
on ice
beating higher
and higher?
There is advice
for that.
There are units
in pavilions,
inseparable entities.
There are people
softening
due to a loss
of cohesion,
and there is a man
in my bedsit.
I'd eat his liver.
Not a speck
of blood
on my prayer
mat, I've simply
kowtowed
under the pressure
of ticking
daylight;
outside of time,
it's like
time is botanical.
Resting
in the dark
of my stomach
my soul
is a tiny flower,
basically.
Eve Esfandiari-Denney
Vou comer o teu fígado
Existe um modo farsi
de tornar os fígados
românticos. A frase
"Vou comer-te o fígado"
sendo idiomática de
ânsia. Ânsia
sendo idiomática do
modo como a natureza não tem
esboço,
apenas a imaginação
imagina. A imaginação
é o miolo
de uma paixão, diria eu.
E não refiro
o miolo como uma bola
de luz branca.
refiro
camadas de gaseificadas
raízes como fibras
em passagem por
um infinito linear
espaço de endereçamento.
Imagina descartar
a raiz
de um sonho
quando o sonho envolve abrir
envolve abrir
um audível
cartão de parabéns
tocando a tua própria
respiração leve.
A manuscrita
inscrição evocando uma atmosfera
de tempo
organizado pelo fogo.
Por que ser cínico
sobre isso?
Porque assumir
que quando morremos
não estamos
'prana', 'ímpeto',
não somos uma chama
no gelo
batendo mais alto
e mais alto ainda?
Há um conselho
por isso.
Existem unidades
em pavilhões,
entidades inseparáveis.
Há pessoas
em amolecimento
por uma perda
de coesão,
e há um homem
no meu estúdio
Vou comer-te o fígado.
Nem um pingo
de sangue
na minha oração
em tapete, simplesmente
submissa
debaixo da pressão
de tiquetaquear
a luz do dia;
fora do tempo,
é como se
tempo fosse botânico.
Descansando
no escuro
do meu estômago
o meu estar
é uma pequena flor,
basicamente.
25 setembro, 2026
24 setembro, 2026
busco algo / procuro qualquer coisa
busco algo
que cuente del eco
que atestigüe
la forma herbácea de los sismos
que narre el pulso que empuja
las costillas hacia afuera
ese ánimo navío
inserto entre los músculos
*
cuelga el océano
el lado umbrío de la carne
cuelgan nuestros ojos en una foto que envejece
pasto de polillas
las caras de piedra y marfil cuelgan igual
cómodas en la pared
ignoran esos seres que fuimos, que no somos
la querencia de los árboles
que intentaron seguir nuestros pasos
y solo enmudecieron
alguna espiga
algo de grano
en estas huellas
Ana Meucci
procuro qualquer coisa
que conte sobre o eco
que testemunhe
a forma herbácea dos sismos
que narre o pulsar que empurra
as costelas para fora
esse fôlego navio
inserção entre os músculos
uma espiga
um grão
nestes indícios
*
pendura o oceano
o lado sombrio da carne
penduram os nossos olhos numa foto que envelhece
pasto de traças
os rostos de pedra e marfim assim estão pendurados
confortáveis na parede
ignoram esses seres que fomos, que não somos
o afeto das árvores
que tentaram seguir os nossos passos
e só emudeceram
23 setembro, 2026
movimentos perpétuos
heart is anxious
carries oceans
spilling over
splits the earth
within us
wants to burn up
all these years
we've left to melt
between us
wind is speaking
tongues of velvet
garnet curtains
spinning dust
around us
night was heavy
dared to linger
under eyelids
static shrouds
above us
Rūta Kuzmickas
o coração está ânsia
carrega oceanos
a transbordar
divide a terra
dentro de nós
quer queimar
em todos estes anos
saímos para derreter
entre nós
o vento está a falar
línguas de veludo
cortinas de granada
partículas de pó a girar
à nossa volta
a noite foi pesada
atreveu-se a ficar
no baixo das pálpebras
protetores estáticos
por cima de nós
carries oceans
spilling over
splits the earth
within us
wants to burn up
all these years
we've left to melt
between us
wind is speaking
tongues of velvet
garnet curtains
spinning dust
around us
night was heavy
dared to linger
under eyelids
static shrouds
above us
Rūta Kuzmickas
o coração está ânsia
carrega oceanos
a transbordar
divide a terra
dentro de nós
quer queimar
em todos estes anos
saímos para derreter
entre nós
o vento está a falar
línguas de veludo
cortinas de granada
partículas de pó a girar
à nossa volta
a noite foi pesada
atreveu-se a ficar
no baixo das pálpebras
protetores estáticos
por cima de nós
22 setembro, 2026
21 setembro, 2026
20 setembro, 2026
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