mesmorra
19 outubro, 2026
18 outubro, 2026
The Birth / O nascer
The Birth
The birth isn’t about poetry
It is about screaming pain on a Sunday
Hailing a cab and head racing
To the hospital, now so close to the new apartment
I had a baby inside of me
But no one expected it to happen so fast
Or then at least they said they didn’t
Maybe they expected it to happen so fast
All along
Alone in the waiting room I shook and shook
And the blood ran down my legs
Later with the magnesium
I thought of the many permutations of the bald head
Pale, pickling fish skin, glowing with scales
When she came out, she was dark and full of hair
No blood, but born in the caul
Like the other magical realities of my past accomplishments
When she came out she cried and it sounded like me
But passed me, into her new reality
Now 3 weeks later, they say I am still not an erotic object
So I wander the park in the snow with my friend
We light candles and pray to the darkness
We light the park on fire and the police come and find us
When they take us to the jail, I say no, it’s not right
I am a mother after all
They say, but where is your baby
And I say, no no, my baby my baby
They say, yes yes, look at your beautiful baby
I say, I do, I do
Look, look, and listen
My baby my baby
She’s here
Dorothea Lasky
O nascer
O parto não é poesia
É dor excruciante num domingo
Apanhando um táxi e acelerar
Para o hospital, agora tão perto do novo apartamento
Eu tinha um bebé dentro de mim
Mas ninguém esperava que acontecesse tão depressa
Ou, pelo menos, disseram que não
Talvez esperassem que acontecesse assim rápido
Desde o princípio.
Sozinha, na sala de espera, em choque e em choque
O sangue escorria pelas minhas pernas
Mais tarde com o magnésio
Pensei nas muitas permutações da cabeça calva
Pálida, conserva de pele de peixe, recheada, radiante de escamas
Quando ela saiu, vinha escura e cheia de cabelo
Sem sangue, mas nascida com caul
Como as outras realidades mágicas dos meus feitos passados
Quando ela saiu, gritou e parecia eu
Mas passou por mim, no seu novo real
Agora, 3 semanas depois, dizem que ainda não sou um objeto erótico
Assim vagueio pelo parque na neve com o meu amigo
Acendemos velas e rezamos ao escuro
Incendiamos o parque e a polícia vem procurar-nos
Quando nos levam para a cadeia, digo não, isso não é justo
Sou uma mãe, afinal
Eles dizem, mas onde está o seu bebé?
E eu digo, não, não, meu amor, meu amor
Eles dizem, sim sim, olhe para o seu lindo bebé
Digo, faço, faço
Ver, ver e ouvir
O meu bebé, o meu bebé
Ela está aqui
The birth isn’t about poetry
It is about screaming pain on a Sunday
Hailing a cab and head racing
To the hospital, now so close to the new apartment
I had a baby inside of me
But no one expected it to happen so fast
Or then at least they said they didn’t
Maybe they expected it to happen so fast
All along
Alone in the waiting room I shook and shook
And the blood ran down my legs
Later with the magnesium
I thought of the many permutations of the bald head
Pale, pickling fish skin, glowing with scales
When she came out, she was dark and full of hair
No blood, but born in the caul
Like the other magical realities of my past accomplishments
When she came out she cried and it sounded like me
But passed me, into her new reality
Now 3 weeks later, they say I am still not an erotic object
So I wander the park in the snow with my friend
We light candles and pray to the darkness
We light the park on fire and the police come and find us
When they take us to the jail, I say no, it’s not right
I am a mother after all
They say, but where is your baby
And I say, no no, my baby my baby
They say, yes yes, look at your beautiful baby
I say, I do, I do
Look, look, and listen
My baby my baby
She’s here
Dorothea Lasky
O nascer
O parto não é poesia
É dor excruciante num domingo
Apanhando um táxi e acelerar
Para o hospital, agora tão perto do novo apartamento
Eu tinha um bebé dentro de mim
Mas ninguém esperava que acontecesse tão depressa
Ou, pelo menos, disseram que não
Talvez esperassem que acontecesse assim rápido
Desde o princípio.
Sozinha, na sala de espera, em choque e em choque
O sangue escorria pelas minhas pernas
Mais tarde com o magnésio
Pensei nas muitas permutações da cabeça calva
Pálida, conserva de pele de peixe, recheada, radiante de escamas
Quando ela saiu, vinha escura e cheia de cabelo
Sem sangue, mas nascida com caul
Como as outras realidades mágicas dos meus feitos passados
Quando ela saiu, gritou e parecia eu
Mas passou por mim, no seu novo real
Agora, 3 semanas depois, dizem que ainda não sou um objeto erótico
Assim vagueio pelo parque na neve com o meu amigo
Acendemos velas e rezamos ao escuro
Incendiamos o parque e a polícia vem procurar-nos
Quando nos levam para a cadeia, digo não, isso não é justo
Sou uma mãe, afinal
Eles dizem, mas onde está o seu bebé?
E eu digo, não, não, meu amor, meu amor
Eles dizem, sim sim, olhe para o seu lindo bebé
Digo, faço, faço
Ver, ver e ouvir
O meu bebé, o meu bebé
Ela está aqui
17 outubro, 2026
16 outubro, 2026
15 outubro, 2026
14 outubro, 2026
Escote espejo / Peito espelho
Escote espejo
El espejo es un corte hondo e intenso
podría cortar sus cabezas,
siempre emergerán más.
No hay donde ocultarse,
y si hubiera un espacio,
sería mirarlo fijo hasta conquistar el anonimato.
Ignorarse,
distinguir a la bestia.
Hallar el instante.
Rocío Nicolaci
Peito espelho
O espelho é um corte profundo e intenso
poderá cortar as cabeças,
emergirão sempre mais.
Não há onde nos escondermos,
e se houvesse um espaço,
olhar sempre para ele até conquistar o anonimato.
Estar de si ignorado,
distinguir a besta.
Encontrar o instante.
El espejo es un corte hondo e intenso
podría cortar sus cabezas,
siempre emergerán más.
No hay donde ocultarse,
y si hubiera un espacio,
sería mirarlo fijo hasta conquistar el anonimato.
Ignorarse,
distinguir a la bestia.
Hallar el instante.
Rocío Nicolaci
Peito espelho
O espelho é um corte profundo e intenso
poderá cortar as cabeças,
emergirão sempre mais.
Não há onde nos escondermos,
e se houvesse um espaço,
olhar sempre para ele até conquistar o anonimato.
Estar de si ignorado,
distinguir a besta.
Encontrar o instante.
13 outubro, 2026
12 outubro, 2026
11 outubro, 2026
kalbini ferah tut / fica com o coração em paz
Kalbini ferah tut
sana kinim vardır elbet senden başka kimim var
kimim kimsem yok değil kesilmedi zürriyetim
kesilmedi hiç nefesim koştumsa da ateşle
su olsun diye yazdım bana kimler sus desin
konuşan özneyim işte, isteyenin mezarına tüküren
kin kimi öldürürmüş belki yaşarız böylece
kahpenin dümeniyle yaşamanın seyrinde
namerde mert der miyiz ölsek onun yerine
beleş bir iş değil beni kendine düşman edişin
bu cüreti sevmişsin pahasını bilmeden
bilmemek bilmekten iyidir hani
kıymetin bilinsin diye seçtiğin
üstüme elbiseler biçtiğin kan ve terden
uymadı üzerime söküldü teyellerim
beni gördüğün kadardı gözlerin
gördüğün kadar değil dünya ve içindekiler
bu faslı ağırdan geçelim
sana ne verebilirim kinimden başka
ey kendini ele verdikçe acıkan yenilgi
ey doğruluğun eksik cümlesi
ey cümbür ey cemaat ey bir hatip cümlesinde
körler sağırlar meclisinde cümlenize ey
ey demeyi kes nereye gitsen bu belâya musallat
o korkunç pençesinde açlığın
harcı âlem bıraktığın kalbini merak edersen
götürüp Londra’nın ortasına bıraktım
ne bülbül ne çocukluk ne keder.
Zeynep Arkan
Fica com o coração em paz
Claro que te guardo, a quem mais tenho senão a ti?
não é que eu não tenha ninguém, a minha linhagem não se extinguiu,
a minha energia nunca me faltou, embora tenha corrido em fogo
escrevi para que fosse água, quem são eles para me calar?
sou o sujeito que fala, a que cospe sobre o túmulo de quem quiser,
a quem mata o ressentimento? talvez assim continuemos
o percurso de uma vida governada pelo timão da traidora
chamaríamos covarde ao corajoso, mesmo se morrêssemos em seu lugar?
não é coisa barata ter-me feito tua inimiga
aparentemente, gostaste desta ousadia sem lhe saber o preço
não saber é melhor do que saber, supõe-se,
escolhidos para que se conhecesse o teu valor,
os vestidos que com sangue e suor me cortaste à medida
não me assentavam bem, descozeram-se os alinhavos,
os teus olhos chegavam até onde me vias
o mundo e quanto nele há não são apenas o que vês
vamos devagar nesta parte.
Que mais te posso oferendar, senão o meu rancor?
oh, derrota, que se torna mais faminta quanto mais se delata,
oh, frase incompleta da verdade,
oh, multidão, oh, congregação, oh, na frase de um orador
na assembleia de cegos e surdos, oh, a todos vós,
chega de dizer "oh"; ondequerquevás, esta desgraça te persegue
com essas garras terríveis da fome.
se perguntares pelo teu coração, que deixaste convertido em qualquer coisa,
levei-o comigo e deixei-o no meio de Londres:
nem rouxinol, nem infância, nem pena.
10 outubro, 2026
09 outubro, 2026
08 outubro, 2026
07 outubro, 2026
06 outubro, 2026
05 outubro, 2026
como te chamas ?
Em Padrón, ao lado da casa de Rosalía, escondida sob o matagal, uma loja aluga triciclos sem motor para pessoas com deficiência de ritalina, e que usa, por defesa, uma poderosa armadura nostálgica.
Na sua bula em pedra, encontra-se inscrito, como princípio ativo, uma casca de roda própria, um vitamínico produzido pela tenda " Artexanato ".
Deslizam os triciclos de rolamentos, os 3 km sem canseira até Pontecesures, sem curvas para cesurar, sem paradores ou mirradouros.
O Ulha espera os corpos.
Por ali cada um pode usar as suas sinapses para criar 1/2 acre de lugar livre, deitando-se com ternura, em vestes de borboleta, no verde variado.
Como chamar a esse verde e diverso?
A Joana disse que, em vez de lhe chamar nomes, o melhor era saber o nome que a si própria essa raridade dava.
Pondo a boca no chão fresco, perguntou-lhe : " Como te chamas? "
alberto augusto miranda
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