11 setembro, 2026

Les espèces ordinaires ont froid / As espécies vulgares têm frio.

 
Nous nous ossifions comme un béluga. Une expérience de soleil privé. Ce qui réduit l’élan de l’oubli. Il nous revient de tout recommencer. Comme si la personne ne se marcottait pas, elle aussi. Comme si la personne ne s’arrangeait pas pour ignorer son temps fixe. Nous sommes libres d’utiliser les expériences et les pensées du passé. Comme si ces comportements n’étaient pas agréables. Appelle-moi.
 
Les roches striées laissent supposer une routine. Tu te tais, tu es outre-mer, c’est vrai, outre-désastre, outre-mammifère. Tu lis. Rien ne m’est encore arrivé sauf la fin. Le champ offre plusieurs cas sensibles, apparitions, circonstances anachroniques, phénomènes, moments animaux, phases de glace, vues panoramiques, insularité, décantation de l’exactitude. Même de la boue.
 
Les espèces ordinaires ont froid. Nous courons à travers les herbes dangereuses avec des queues radicales. Nous ne sommes pas toujours contre le grouillement de bêtes invisibles se blessant entre elles, nous les rappelons affectueusement, nous prenons en compte leurs désirs. C’est de l’inclusion. Nos sentiments ne sont pas un problème. Presque homogènes, presque maritimes, presque agricoles, presque épistolaires, presque temporels. Nous nous pratiquons.
 
 
Maude Pilon

 
Ossificamo-nos como uma beluga. Uma experiência privada ao sol . O que reduz o arroubo do esquecimento. Compete-nos recomeçar tudo. Como se a pessoa, ela também, não estivesse a marcotear-se. Como se a pessoa conseguisse ignorar o seu tempo fixo. Somos livres de usar experiências e pensamentos do passado. Como se esses comportamentos não fossem agradáveis. Telefona-me.
 
As rochas estriadas sugerem uma rotina. Calas-te, estás no externo, é verdade, no além-desastre, além mamífero. Lês. Ainda nada me aconteceu, exceto o fim. O campo oferece vários casos sensíveis, aparições, circunstâncias anacrónicas, fenómenos, momentos animais, fases de gelo, vistas panorâmicas, insularidade, decantação do exato. Até lama.
 
As espécies vulgares têm frio. Corremos através das ervas perigosas com rabos radicais. Nem sempre somos contra o tumulto de animais invisíveis ferindo-se entre si, lembramo-los afetuosamente, levamos em conta seus desejos. Isso é inclusão. Os nossos sentimentos não são um problema. Quase homogéneos, quase marítimos, quase agrícolas, quase epistolares, quase temporais. Nós praticamo-nos.


05 setembro, 2026

Gefunden / Achamento

 

Anxo Pastor

Gefunden
 
Ich ging im Walde
So für mich hin,
Und nichts zu suchen
Das war mein Sinn.
 
Im Schatten sah’ ich
Ein Blümchen stehn,
Wie Sterne leuchtend,
Wie Äuglein schön.
 
Ich wollt’ es brechen;
Da sagt’ es fein:
Soll ich zum Welken
Gebrochen sein?
 
Ich grub’s mit allen
Den Würzlein aus,
Zum Garten trug ich’s
Am hübschen Haus.
 
Und pflanzt es wieder
Am stillen Ort;
Nun zweigt es immer
Und blüht so fort.
 
 
Wolfgang von Goethe
 
 
Achamento
 
Entrei no bosque
Absorto em mim,
Sem nada procurar,
Assim era o meu estando.
 
Entre as sombras vi
Uma florzinha erguendo-se,
Brilhante como a luz das estrelas,
Bela como um olhar
 
Quis arrancá-la;
Disse-me tudo bem:
Tenho de murchar
Estar quebrada?
 
Desterrei-a
Com as pequenas raízes
No jardim a instalei
Ao pé da casa bonita.
 
Arranjei-lhe chão de novo
Em lugar de sossego;
Está com mais ramagem
E floresce, floresce
 
 
 

02 setembro, 2026

他 / ele

 

 
他是一个非常
细心的男生
他会帮我把伞
整齐地折好扣上还给我
他是一个非常
体贴的男生
他往鸡米花上
挤番茄酱之前会问我
我可以挤吗
他是一个非常
懂礼貌的男生
在手忙脚乱
拆避孕套的时候
他会轻声跟我说
帮我口一下
谢谢
 
 
Fang Miaohong ( 方妙红 )
 

ele

É um moço extremamente
atento
ajuda-me a dobrar
e a fechar o guarda-chuva
cuidadosamente
antes de mo devolver
É um moço extremamente
atencioso
pergunta-me antes de espremer o ketchup
sobre os nuggets de frango:
Posso apertar?
É um moço extremamente
gentil
nervoso
para tirar o preservativo
sussurra-me
ajuda-me com a tua boca,
Obrigado
 

31 agosto, 2026

La Vara y el Río / A Vara e o Rio


La Vara y el Río
 
Me golpeo el rostro
con una vara de junco que partí en noviembre
una tarde sin sol.
El cuerpo no me acompaña. Pienso,
una vez más
en lo propio y en lo impropio.
 
El junco en mi mejilla suena sin vergüenza
a dolor prestado, a cosa acabada
entre golpe y golpe
una lancha pasa sobre mi cara.
 
Es el tiempo que me doy para saber si quiero vivir.
 
 
Laura Klein
 
 
A Vara e o Rio
 
Bato-me no rosto
com uma vara de junco que parti em novembro
numa tarde sem sol.
O corpo não me acompanha. Penso,
mais uma vez
no próprio e no impróprio.
 
O junco na minha face soa sem vergonha
a dor emprestada, a coisa acabada
cada vez que bate
uma lancha passa sobre meu rosto.
 
É o tempo que me dou para saber se quero viver.