30 julho, 2026

coro



Bailamos
como nuestros muertos.
Bailamos
encima de sus huesos.
 
Ojo de carne
penumbra carmesí
que mancha el cielo.
 
Nuestro brazo te alcanza
hasta salirse de mí.
Rasga el tuétano.
 
Figuras de ruinas
que retornan
sobre tu sombra.
 
Hace tiempo
el olvido
llevó sus rostros.
 
Se danza
a la espera
de no tener cuerpo.
 
 
Deira Salcie Almonte
 
 
Dançamos
como os nossos mortos.
Dançamos
em cima dos seus ossos.
 
Olho de carne
penumbra carmesim
que mancha o céu.
 
O nosso braço alcança-te
até sair de mim.
Rasga o tutano.
 
Figuras de ruínas
que retornam
sobre a tua sombra.
 
há muito tempo
o esquecimento
levou os seus rostos.
 
Dança-se
à espera
de não ter corpo.
 

26 julho, 2026

me compré un sostén nuevo / comprei um sutiã novo



IV. Me compré un sostén nuevo
 
Me compré un sostén nuevo
para dormir contigo
para que cuando me veas me digas:
esto me moja como mierda
 
pero cuando lo viste
no dijiste nada
me abrazaste como a un preso político
que acaban de darle asilo en el extranjero
 
por un momento
confundí tu abrazo con libertad
 
 
María Alejandra López
 
 
IV. Comprei um sutiã novo
 
Comprei um sutiã novo
para dormir contigo
para que quando me vires me digas :
isso excita-me para caralho
 
mas quando o viste
não disseste nada
abraçaste-me como um prisioneiro político
a quem acabam de dar asilo no estrangeiro
 
por um momento
confundi o teu abraço com liberdade
 

18 julho, 2026

j’ai connu le corps de ma mère / conheci o corpo da minha mãe


Je me souviens de ses genoux
De ses chevilles
De la forme de son pied au repos
 
De son dos
Cette courbe que j’ai massée
Sous laquelle tout la tuait
 
Sa douceur
Sa maigreur
 
 
Gladys Brégeon
 
 
Lembro os seus joelhos
Os seus tornozelos
A forma do seu pé em repouso
 
O seu dorso
Essa curva que massajei
Sob a qual tudo a matava
 
A sua doçura
A sua magreza