mesmorra
05 novembro, 2026
04 novembro, 2026
Ferdydurke
¿Estamos condenados
a plagiar lo que amamos?
¿Lo que ignora que está siendo
amado? ¿Incluso el enemigo?
¿Incluso el ajeno lejos o cerca
de nosotros?
Ella me dijo: Al leerme
en voz alta ese pasaje de Ferdydurke no podía
detectar cuándo hablaba el polaco
y cuándo vos.
(Polonia- Argentina.
Argentina- Polonia)
Hablo de pueblos masacrados.
Traduzco el dialecto
de los difuntos.
¿Ese hombre y yo
nos parecíamos en la boca y boca
de una presunta megalomanía?
Él y yo escribimos
para el escarnio. ¿Éramos
el escarnio? ¿Cuánto valíamos?
¿Valíamos?
María Belén Aguirre
Estamos condenados
a plagiar o que amamos?
O que ignora que está a ser
amado? mesmo o inimigo?
Mesmo o alheio longe ou perto
de nós?
Ela disse-me: Ao ler para mim
em voz alta esta passagem de Ferdydurke não consegui
detetar quando era o polaco a falar
e quando eras tu.
(Polónia - Argentina.
Argentina - Polónia)
Falo de povos massacrados.
Traduzo o dialeto
dos mortos.
Esse homem e eu
éramos parecidos na boca e boca
de uma alegada megalomania?
Ele e eu escrevemos
para o escárnio. Éramos
o escárnio? quanto valíamos?
Valíamos?
03 novembro, 2026
02 novembro, 2026
01 novembro, 2026
31 outubro, 2026
30 outubro, 2026
29 outubro, 2026
28 outubro, 2026
Inefable / Inefável
Inefable
Templada y silenciosa
era la voz que ahora añoro
Blanca, densa como el aceite, iluminaba su voz
la belleza oculta de las cosas.
¿ A quién otorgas ahora
tu don de llamar a las cosas por su nombre ?
Solo tú decías agua y era agua,
sol cuando era sol,
voy, decías, y accedías al refugio lejano
en que me escondo y tu voz llegaba a mí,
cosa extraña,
sin palabras.
María Paz Otero
Inefável
Temperada e silente
era a voz de que agora tenho saudades
Branca, densa como o óleo, a sua voz iluminava
a beleza oculta das coisas.
A quem outorgas agora
o teu dom de chamar as coisas pelo nome?
Só tu dizias água e era água,
sol quando era sol,
vou, dizias, e acedias ao abrigo distante
em que me escondo e a tua voz chegava a mim,
coisa estranha,
sem palavras.
Templada y silenciosa
era la voz que ahora añoro
Blanca, densa como el aceite, iluminaba su voz
la belleza oculta de las cosas.
¿ A quién otorgas ahora
tu don de llamar a las cosas por su nombre ?
Solo tú decías agua y era agua,
sol cuando era sol,
voy, decías, y accedías al refugio lejano
en que me escondo y tu voz llegaba a mí,
cosa extraña,
sin palabras.
María Paz Otero
Inefável
Temperada e silente
era a voz de que agora tenho saudades
Branca, densa como o óleo, a sua voz iluminava
a beleza oculta das coisas.
A quem outorgas agora
o teu dom de chamar as coisas pelo nome?
Só tu dizias água e era água,
sol quando era sol,
vou, dizias, e acedias ao abrigo distante
em que me escondo e a tua voz chegava a mim,
coisa estranha,
sem palavras.
27 outubro, 2026
26 outubro, 2026
25 outubro, 2026
24 outubro, 2026
Acaso nunca sepa / Talvez nunca saiba
V
Acaso nunca sepa qué honda es la tormenta
que ruge para mí
acaso no comprenda
los dones
que he perdido para siempre
acaso
alguien como yo
corrió descalza
entre los ortigales
y los tréboles
acaso en otros montes
acaso en otros potros
acaso no fui yo
yo traigo apenas la danza del romero
esas fortunas
del barro entre las manos
la simpleza
del alambre que se tensa contra el viento.
*
VII
Hundo mi mano
en la espesura de la noche.
Recolecto su fruto.
Mariana Finochietto
Talvez nunca saiba quão forte é a tormenta
que ruge para mim
talvez não entenda
os dons
que perdi para sempre
Talvez
alguém como eu
tenha corrido descalça
entre os urtigais
e os trevos
talvez noutros montes
talvez noutros potros
talvez não tenha sido eu
trago apenas a dança do andante
esses destinos
da lama entre as mãos
a simplicidade
do fio em tensão contra o vento.
*
VII
Afundo a minha mão
na espessura da noite.
Colho o seu fruto.
Acaso nunca sepa qué honda es la tormenta
que ruge para mí
acaso no comprenda
los dones
que he perdido para siempre
acaso
alguien como yo
corrió descalza
entre los ortigales
y los tréboles
acaso en otros montes
acaso en otros potros
acaso no fui yo
yo traigo apenas la danza del romero
esas fortunas
del barro entre las manos
la simpleza
del alambre que se tensa contra el viento.
*
VII
Hundo mi mano
en la espesura de la noche.
Recolecto su fruto.
Mariana Finochietto
Talvez nunca saiba quão forte é a tormenta
que ruge para mim
talvez não entenda
os dons
que perdi para sempre
Talvez
alguém como eu
tenha corrido descalça
entre os urtigais
e os trevos
talvez noutros montes
talvez noutros potros
talvez não tenha sido eu
trago apenas a dança do andante
esses destinos
da lama entre as mãos
a simplicidade
do fio em tensão contra o vento.
*
VII
Afundo a minha mão
na espessura da noite.
Colho o seu fruto.
23 outubro, 2026
22 outubro, 2026
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