mesmorra
14 janeiro, 2026
13 janeiro, 2026
TPC#133
Calçada do Desterro 7, 1150-125 Lisboa
01. Horse Girl
You call me late one night and ask if I can
Keep a secret
Of course. I’m already keeping mine.
I am listening to Nina Simone, knowing that the “other woman”
Is a construct designed to make women hate themselves
You ask me to rehearse what I’d say if a strange number called me
Asking who I am
And how do I know you
I would say, I’m not allowed to break
Patient confidentiality
Good, you say.
I ask, how much would I have to pay you to break my heart
To my delight, you say you’ll do it for free
There’s something you should know:
When I was young, I wanted a horse so bad
I’d wake up at dawn
And take a pitchfork to frozen compost in the backyard
I mucked an imaginary stall
Cracking the thin layer of frost over the pile like the fat
Bottom of a spoon to crème brûlée
My breath in clouds my knuckles white
I loved the idea of having a horse
Emily Passos Duffy
01. Rapariga Cavalo
Ligas-me tarde uma noite, perguntas-me se consigo
guardar um segredo.
Claro. Já guardo o meu.
Estou a ouvir Nina Simone, sabendo que a "outra mulher"
é uma construção criada para por as mulheres a odiarem-se umas às outras
Pedes-me para ensaiar o que eu diria se um número desconhecido me ligasse,
perguntando quem eu sou
e como te conheço
Eu diria : "Não me permitem quebrar
o sigilo médico".
Fixe, dizes.
Pergunto: "Quanto teria que te pagar para partir o meu coração?".
Para minha alegria, dizes que farás isso de borla.
Há uma coisa que tens de saber :
quando era jovem, queria tanto um cavalo
que acordava ao amanhecer
e pegava numa forquilha para quebrar a compostagem congelada no quintal.
Punha-me a limpar um estábulo imaginário
rachando a fina camada de geada empilhada como a gordura
do convexo de uma colher para crème brûlée.
Meu sopro em nuvens, meus brancos nós dos dedos .
Adorava a ideia de estar com um cavalo.
12 janeiro, 2026
11 janeiro, 2026
10 janeiro, 2026
un peu de gaz au fond de vos yeux / um pouco de gás no fundo dos olhos
une lueur me prend à l’estomac. je veux comprendre. les cortégraphes expliquent, schémas à l’appui. à votre naissance, votre mémoire n’était rien de plus qu’un peu de gaz au fond de vos yeux. pour se constituer, faire matière, la mémoire agrège autour d’elle toutes les poussières présentes dans son environnement : poussières issues des bouches des parents, des bouches des grands-parents, des bouches du reste de la famille, des bouches des voisinexs, des bouches des présentateuricexs, du journal de 20h, des bouches des adorables cochons dans les livres d’histoires avant de s’endormir, des bouches des copainexs, des couinexs, des idoles… oui, toutes les bouches font de la poussière pour constituer la planète qui vous servira de mémoire durant la vie entière. son sol est composé des grains de toutes les voix que vous avez entendues jusqu’à l’âge de 7 ans. après ça, eh bien, ça reste stable. c’est d’ailleurs à ce moment-là que les souvenirs cessent de s’enfuir.
Héloïse Brézillon
uma faísca puxa-me pelo estômago. quero compreender. os mapeadores do córtex explicam, gráficos detalhados. Ao nascer, a memória era apenas um pouco de gás no fundo dos olhos. para se constituir, para (pro)criar, a memória agrega à sua volta todas as poeiras presentes no seu ambiente: poeira das bocas dos pais, das bocas dos avós, das bocas da restante família, das bocas da vizinhança, das bocas de quem faz apresentações, do jornal das 20h, das bocas dos adoráveis porcos nos livros de histórias antes de adormecer, das bocas das amizades, de quem guincha, dos ídolos... Sim, todas as bocas fazem poeira para constituir o planeta que servirá de memória toda a vida. o seu solo é composto pelos grãos de todas as vozes ouvidas até à idade de 7 anos. depois disso, bem, ele permanece estável. É nesse momento que as lembranças deixam de fugir.
09 janeiro, 2026
08 janeiro, 2026
07 janeiro, 2026
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