Margaret Halaby
mesmorra
08 outubro, 2026
07 outubro, 2026
06 outubro, 2026
05 outubro, 2026
como te chamas ?
Em Padrón, ao lado da casa de Rosalía, escondida sob o matagal, uma loja aluga triciclos sem motor para pessoas com deficiência de ritalina, e que usa, por defesa, uma poderosa armadura nostálgica.
Na sua bula em pedra, encontra-se inscrito, como princípio ativo, uma casca de roda própria, um vitamínico produzido pela tenda " Artexanato ".
Deslizam os triciclos de rolamentos, os 3 km sem canseira até Pontecesures, sem curvas para cesurar, sem paradores ou mirradouros.
O Ulha espera os corpos.
Por ali cada um pode usar as suas sinapses para criar 1/2 acre de lugar livre, deitando-se com ternura, em vestes de borboleta, no verde variado.
Como chamar a esse verde e diverso?
A Joana disse que, em vez de lhe chamar nomes, o melhor era saber o nome que a si própria essa raridade dava.
Pondo a boca no chão fresco, perguntou-lhe : " Como te chamas? "
alberto augusto miranda
habitação, entrar em casa
Mike Nelson
A CASA DO MUNDO
Aquilo que às vezes parece
um sinal no rosto
é a casa do mundo
é um armário poderoso
com tecidos sanguíneos guardados
e a sua tribo de portas sensíveis.
Cheira a teias eróticas. Arca delirante
arca sobre o cheiro a mar de amar.
Mar fresco. Muros romanos. Toda a música.
O corredor lembra uma corda suspensa entre
os Pirenéus, as janelas entre faces gregas.
Janelas que cheiram ao ar de fora
à núpcia do ar com a casa ardente.
Luzindo cheguei à porta.
Interrompo os objectos de família, atiro-lhes
a porta.
Acendo os interruptores, acendo a interrupção,
as novas paisagens têm cabeça, a luz
é uma pintura clara, mais claramente me lembro:
uma porta, um armário, aquela casa.
Um espelho verde de face oval
é que parece uma lata de conservas dilatada
com um tubarão a revirar-se no estômago
no fígado, nos rins, nos tecidos sanguíneos.
É a casa do mundo:
desaparece em seguida.
Luiza Neto Jorge
04 outubro, 2026
03 outubro, 2026
nada de mí / nada de mim
Anxo Pastor
NADA DE MI
Me vi,
me vi por la espalda
hasta que no quedó nada de mí.
Me vi por ahí, despacio,
en la nada de mi.
Me vi por la espalda
y estuve a punto de atraparme,
me vi, me vi
como si fuera otra yo misma,
ni tan siquiera esa nada de mí.
*
LA DURMIENTE NÚMERO ONCE
se despierta a tiempo de salvarse,
al compás de la respiración
de los que duermen alrededor.
El riesgo de la pesadilla
al despertar se hace música,
al ritmo de los cubiertos
y los platos de la cocina.
Marina Oroza
NADA DE MIM
vi-me,
vi-me por trás
até não ficar nada de mim.
vi-me por aí, devagar,
no nada de mim.
Vi-me por trás
e estive prestes a agarrar-me,
vi-me, vi-me
como se fosse outra eu própria,
sem sequer esse nada de mim.
*
A ADORMECIDA NÚMERO ONZE
acorda a tempo de se salvar,
ao compasso da respiração
dos que dormem em volta.
O risco do pesadelo
ao acordar faz-se música,
ao ritmo dos talheres
e dos pratos da cozinha.
Me vi,
me vi por la espalda
hasta que no quedó nada de mí.
Me vi por ahí, despacio,
en la nada de mi.
Me vi por la espalda
y estuve a punto de atraparme,
me vi, me vi
como si fuera otra yo misma,
ni tan siquiera esa nada de mí.
*
LA DURMIENTE NÚMERO ONCE
se despierta a tiempo de salvarse,
al compás de la respiración
de los que duermen alrededor.
El riesgo de la pesadilla
al despertar se hace música,
al ritmo de los cubiertos
y los platos de la cocina.
Marina Oroza
NADA DE MIM
vi-me,
vi-me por trás
até não ficar nada de mim.
vi-me por aí, devagar,
no nada de mim.
Vi-me por trás
e estive prestes a agarrar-me,
vi-me, vi-me
como se fosse outra eu própria,
sem sequer esse nada de mim.
*
A ADORMECIDA NÚMERO ONZE
acorda a tempo de se salvar,
ao compasso da respiração
dos que dormem em volta.
O risco do pesadelo
ao acordar faz-se música,
ao ritmo dos talheres
e dos pratos da cozinha.
Muero / Morro :
02 outubro, 2026
01 outubro, 2026
M’he extirpat / Extirpei-me
M’he extirpat
de tu
però a la panxa encara hi duc
el teu secret
o sigui que no acabo
de matar-te.
*
M'han deixat descalça dins del bosc
i diuen que sóc una mentidera.
Jo ja sé fer lletra lligada i tombarelles
però les formigues em pugen com homes
per les cames i jo vull casa meva
i no em puc moure i s'està fent fosc
i no vull plorar perquè soc gran
i diran que m'enyoro.
Greta Sibling
Extirpei-me
de ti
porém no ventre mesmo assim carrego
o teu segredo
por isso não consigo acabar
de te matar.
Extirpei-me
de ti
porém no ventre mesmo assim carrego
o teu segredo
por isso não consigo acabar
de te matar.
*
Descalça me deixaram nesta floresta
e dizem que sou uma mentirosa.
Já sei fazer letra cursiva e piruetas
mas as formigas sobem por mim como homens
pelas pernas e eu quero ir para casa
e não consigo mexer-me e está a escurecer
e não quero chorar porque já sou adulta
e vão dizer que deles a falta sinto.
e dizem que sou uma mentirosa.
Já sei fazer letra cursiva e piruetas
mas as formigas sobem por mim como homens
pelas pernas e eu quero ir para casa
e não consigo mexer-me e está a escurecer
e não quero chorar porque já sou adulta
e vão dizer que deles a falta sinto.
30 setembro, 2026
29 setembro, 2026
sons nus
Sons-Nús ( Maite Dono & Baldo Martínez )
3 outubro 2026, 19.30h
A Casa do Pozo
Vilar - Bande
( Gerês - Ourense )
3 outubro 2026, 19.30h
A Casa do Pozo
Vilar - Bande
( Gerês - Ourense )
a desconhecida
Je hais et abjecte en lâche tout être qui ne reconnaît pas que la vie ne lui est donnée que pour refaire et reconstituer son corps et son organisme tout entier ( Antonin Artaud )
Odeio e abomino em abjecção todo o ser que não reconhece que a vida só lhe é dada para refazer e reconstituir o seu corpo e todo o seu organismo
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